Guia do IRPF: passo a passo, documentos necessários, escolher declaração completa ou simplificada e evitar malha fina

Lembro-me claramente da vez em que sentei à mesa da cozinha, com uma pilha de comprovantes espalhados e a sensação de que qualquer erro poderia me trazer problemas. Na minha jornada como jornalista e quem já passou por dezenas de declarações de imposto de renda, aprendi que organização e atenção aos detalhes valem mais do que a pressa de última hora.

Neste artigo você vai aprender, de forma prática e confiável, tudo o que precisa sobre declaração de imposto de renda: quem deve declarar, quais documentos reunir, como escolher entre declaração completa ou simplificada, passo a passo para enviar sua declaração com segurança, como evitar cair na malha fina e o que fazer se precisar retificar. Vou compartilhar exemplos reais, erros que cometi e como corrigi-los — para que você não cometa os mesmos deslizes.

O que é a declaração de imposto de renda?

A declaração de imposto de renda (IRPF) é o documento anual que pessoa física entrega à Receita Federal para informar rendimentos, bens, despesas dedutíveis e impostos já pagos ao longo do ano-calendário.

Ela serve para ajustar o imposto devido: você pode ter imposto a pagar, a restituir ou zerar o saldo. Simples, mas exige atenção.

Quem precisa declarar?

Você precisa declarar imposto de renda se se enquadrar em qualquer condição definida pela Receita Federal no ano-base. Em geral, são casos como:

  • Recebeu rendimentos tributáveis acima do limite anual definido pela Receita;
  • Teve rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima do limite estabelecido;
  • Possuiu bens ou direitos com valor superior ao teto exigido;
  • Obteve ganho de capital na venda de bens ou realizou operações em bolsa;
  • Passou a residir no Brasil em qualquer mês do ano-calendário.

Quer saber se você se encaixa? Consulte o site da Receita Federal ou veja a relação de critérios atualizada anualmente.

Checklist: documentos que você deve separar

Organizar documentos é meio caminho andado para uma declaração sem dor de cabeça. Separe tudo com antecedência:

  • Comprovantes de rendimentos: informes de salários, pró-labore, aposentadoria, aluguéis, investimentos;
  • Informes de rendimento de instituições financeiras e corretoras;
  • Comprovantes de pagamento de INSS (se autônomo) e de contribuições à previdência privada;
  • Notas fiscais e recibos de despesas médicas e odontológicas (nome do prestador, CPF/CNPJ e descrição do serviço);
  • Comprovantes de despesas educacionais (escolas, universidades);
  • Recibos de pagamento de pensão alimentícia (quando judicial);
  • Documentos de compra e venda de bens e veículos e saldos de contas e investimentos em 31/12;
  • Documentos pessoais: CPF e data de nascimento de dependentes, comprovantes de endereço.

Declaração completa ou simplificada: como escolher?

Essa é uma das decisões centrais: optar pela declaração completa (deduções discriminadas) ou pela simplificada (desconto padrão de 20% limitado ao teto). Qual escolher?

  • Complete se suas despesas dedutíveis (saúde, educação, pensão, dependentes) superarem o desconto padrão.
  • Simplificada é mais prática e costuma ser vantajosa para quem tem poucas deduções.

Minha dica prática: faça os dois cenários no programa da Receita e compare o imposto a pagar ou a restituir. O próprio software mostra o resultado — use isso a seu favor.

Passo a passo para preencher e enviar (via Programa IRPF ou e-CAC)

Quer um roteiro direto? Siga estes passos:

  • Baixe a versão mais recente do Programa IRPF no site da Receita ou use o preenchimento online via e-CAC;
  • Importe o CPF e a declaração do ano anterior (se possível) para agilizar os lançamentos;
  • Preencha rendimentos tributáveis e não tributáveis conforme informes de rendimento;
  • Declare bens e direitos com valores corretos em 31/12;
  • Informe dívidas e ônus, se houver;
  • Inclua dependentes e deduções comprovadas (respeitando regras de comprovação);
  • Revise cuidadosamente — verifique CPFs, números de recibos e valores;
  • Envie a declaração e salve o recibo; imprima ou guarde o PDF do DARF, se houver imposto a pagar;
  • Conserve comprovantes por pelo menos 5 anos (prazo de fiscalização da Receita).

Principais deduções e como comprová-las

Alguns itens que normalmente reduzem seu imposto:

  • Despesas médicas: sem limite de valor, desde que comprovadas por notas e receituários (com CPF/CNPJ do prestador);
  • Despesas educacionais: costumam ter teto anual — guarde notas e contratos;
  • Contribuições à previdência oficial (INSS): comprovantes de pagamento;
  • Contribuições a previdência privada: informe de rendimento da instituição;
  • Pensão alimentícia judicial: documento que comprove o pagamento;
  • Doações incentivadas: exigem comprovante legal e projeto beneficiado.

Por que comprovar tudo? Porque a Receita pode pedir comprovação e, sem documentos, sua dedução pode ser negada e gerar malha fina.

Restituição, malha fina e multas — o que saber

Restituição: quando o imposto retido foi maior que o devido, você terá restituição. A Receita libera lotes ao longo do ano, priorizando idosos, pessoas com deficiência e portadores de doença grave.

Malha fina: ocorre quando há inconsistências entre sua declaração e informações de terceiros (empresas, bancos). Recebi uma intimação uma vez por omissão de rendimento de aluguel — bastou regularizar com comprovantes para resolver em semanas.

Multas: atraso na entrega pode gerar multa mínima ou percentual do imposto devido. Melhor declarar em dia e, se precisar, pedir prorrogação/tirar dúvidas com um contador.

Erros comuns e como evitá-los

  • Esquecer de informar rendimentos de fontes menores — verifique informes de bancos e corretoras;
  • Incluir despesas sem comprovantes — guarde recibos;
  • Equívocos em CPFs de dependentes — verifique antes de enviar;
  • Não importar dados da declaração anterior — isso evita divergências;
  • Confundir bens transferidos durante o ano — informe corretamente datas e valores.

Dicas práticas que funcionaram para mim

Organização mensal. Em vez de juntar tudo no fim do ano, eu arquivo mensalmente recibos de saúde e educação. Isso torna a hora de declarar tranquila.

Use o próprio sistema da Receita para simular completa vs. simplificada. Não confie só na memória — teste as duas opções.

Se tiver investimentos complexos (renda variável, criptomoedas, operações no exterior), busque um contador com experiência nesses temas. Custo de prevenção é menor que retificação na malha.

O que fazer se cair na malha fina?

Receba com calma. A Receita informará o motivo. Você pode enviar documentação pela internet (e-CAC), protocolar emposto físico ou, em alguns casos, retificar a declaração para corrigir erros.

Se a questão for complexa, como rendimentos não declarados por terceiros, procure um contador ou advogado tributarista para orientar a defesa administrativa.

Resumo rápido (checklist final)

  • Separe comprovantes e informes de rendimento;
  • Escolha entre completa ou simplificada testando ambas no programa;
  • Revise CPFs, valores e informações de bens;
  • Envie dentro do prazo e guarde o recibo;
  • Se cair na malha, responda com documentos e, se necessário, peça ajuda profissional.

Perguntas frequentes (FAQ)

Preciso declarar se trabalhei como PJ (autônomo) em parte do ano?

Sim — rendimentos tributáveis de pessoa jurídica ou fizem por conta própria devem constar. Verifique informes e guarde recibos de despesas relacionadas à atividade.

E se eu esquecer algum rendimento após enviar a declaração?

Faça uma declaração retificadora o quanto antes. A retificação é permitida enquanto a declaração original foi enviada; evite deixar para depois.

Quanto tempo devo guardar comprovantes?

O ideal é manter por pelo menos 5 anos, que é o prazo em que a Receita pode fiscalizar declarações passadas.

Como acompanhar a restituição?

Pelo site da Receita, no e-CAC ou pela consulta à restituição — você precisará do CPF e do número do recibo da declaração.

Conclusão

Declarar imposto de renda pode parecer assustador, mas com organização e as informações corretas você reduz riscos e estresse. Separe documentos, teste as opções no programa da Receita e não hesite em procurar ajuda profissional quando houver operações complexas.

E você, qual foi sua maior dificuldade com declaração de imposto de renda? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!

Referências

Receita Federal — Imposto de Renda Pessoa Física: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/imposto-de-renda

Matérias de apoio e contextualização: G1 — seção Economia (para notícias e atualizações de prazos): https://g1.globo.com/economia/